Aos mestres, com carinho de discípulo eterno.

Meus primeiros professores foram Genival e Marlene. Ensinaram-me coisas aparentemente banais, mas que usarei pra sempre como escovar os dentes, tomar banho, comer de garfo e faca, pedir antes de pegar coisas que não são minhas e aceitar “nãos” como repsosta, prestar atenção quando alguém fala e respeitar os mais velhos, orar sem cessar e ter temor na casa de Deus. Ensinam-me muito, sempre, até hoje e até quando Deus permitir. Peço muitos e muito anos…

Depois veio o professor Lucas, meu irmão do meio. Veio pra me ensinar a dividir, brincar, driblar (isso aí não aprendi lá muito bem…), aprontar e sair ileso, entre tantas outras coisas…

As “tias” que me alfabetizaram começaram uma obra importante que é deveras desvalorizada neste país. Lembro de seus rostos, de sua doçura, mas infelizmente os nomes me fogem…

Ana Paula veio como um presente de Deus! Ensinou-me a cuidar. Tão frágil quando chegou em casa, nossa caçulinha… Aos oito anos, aprendi a carregar minha irmãzinha no colo e com seu pezinho torto, aprendi que Deus usa a tudo e a todos quando quer abençoar uma família com uma cura sobrenatural.

Norma, Vilma, Júlio e Celso; Geometria, Literatura, Geografia e Física respectivamente. Mais do que o rigor dos conteúdos ensinavam a gostar de aprender e a cruzar saberes de maneira a entender melhor o mundo ao meu redor. Que saudades das aulas de vocês, e como gostaria de ter aproveitado mais.

Júlio César me ensinou a usar melhor os acordes que aprendia nos livrinhos do Maurão. Ensinou-me que havia muita múscica além do que meu gôsto podia alcançar. Clapton, Caetano, Metheny… Muito som, muitos dedos, muitas viagens sonoras!

De toda a ULM, lembro com saudades de Regina Kinjo. Entrei na aula dela descontente com a obrigatoriedade de frequentar aulas de Canto Coral. O terceiro acorde da primeira canção que aprendi com ela muduou o curso da minha vida: virei aspirante a tenor, arranjador de acapela, cantor, músico, “madrigalista encantado”.

Logo veio Naty Ribas, minha professora em tempo integral. Ela me ensina de tudo: cuidar da casa, cuidar da imagem, cuidar da língua… Mas de tudo que aprendi com ela, o melhor foi aprender a amar plenamente.

Da UNESP lembro de Carlos Stasi. Professor que descostruiu meu castelo de cartas em 15 minutos de aula. Com ele aprendi que música está muito além da frieza inerte de marcações gráficas numa partitura e que qualquer sistema tem limites, inclusive os melhores sistemas…

Um mestre que já se foi é Ricardo Rizek; ou Rizekinho, o Grande como gosto de recordá-lo em conversas ou aulas. Enquanto em muitos lugares aprendi técnicas variadas, na sala de aula de meu mestre aprendi Arte, sua sublime força e capacidade de ser algo além do banal mesmo que o cite ou se pareça com ele. Com Rizek aprendi tanto que nem em 2 existências poderia organizar tantas anotações de aulas notívagas… Ainda visito suas aulas, seus dizeres, seus gestos e suas manias.

Muitos professores me alcançaram sem que nunca os encontrasse. Aulas em livros (Martin Buber, Platão, Guimarães Rosa,Suassuna,  Michael Ende…), aulas Poéticas (Hesíodo, Safo, Pessoa, Jorge de Lima, todos os Cordelístas do Nordeste, todos os Rappers do Mundo…) aulas em Discos (Robert Johnson, Boca Livre, Take6, Jeff Buckley…), aulas no Cinema (Stanley Kubrik, Andrei Tarkovski, David Cronemberg…), aulas em Telas (Dali, Picasso, Michelangelo, Da Vinci), aulas no Palco (Artaud, Nelson Rodrigues, Sófocles…), aulas em Sonoras (Bach, Beethoven, Bhrams…), aulas e aulas e aulas…

Tento fazer de meu professor o meu “outro”. Aquele ou aquela com quem convivo vive num mundo interno diferente do meu e certamente posso aprender a cada encontro. Não creio estar banalizando o ofício do mestre aqui, até porque “mestre” é um dos títulos que se dá aquele que é meu maior professor: Jesus Cristo, o Mestre dos Mestres – um homem que ousou ensinar a todos sem distinção, sentando-se em todas as mesas que pode e deixando uma marca que chegou até nós, alunos.

Se você é professor sinta-se bem neste dia. Sem você o mundo estaria em trevas completas e qualquer força nos venceria.

Parabéns!

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Mudando de site…

Bem, minha inabilidade em melhorar o visual do Blog no WordPress (que gosto muito!) migrarei este Blog aos poucos para outro site:

http://jonaspauloptc.blogspot.com/

Novos posts ainda serão simultâneos, mas logo logo deixarei este em stand by, ok!

Agradeço a compreensão, e mais ainda, agradeço o apoio ao Blog! Tem sido uma ótima experiência escrever e ser lido por vocês todos!

Um pequeno salmista andando pelo tempo

Foto por Lucas Motta

Foto por Lucas Motta

Há um cineasta russo que disse em seu livro que a música é a moldagem filosófica do tempo. No caso das canções de Thiago Grulha, dever-se-ia estender o conceito para o campo da Fé, da Teologia, da Doutrina e Vida Cristã. Meus passos no tempo parece ser o retrato do que vive, pensa e faz um jovem salmista da nossa geração, anotando tudo em nossa memória através do seu canto. É com os olhos no retrovisor das próprias vivências que Thiago evoca as imagens e experiências que canta no disco com uma voz singela e precisa, sem muitos rodeios. A principal marca do disco é a presença de canções, na mais bela acepção da palavra, aquela que nem meu sempre útil Caldas Aulete traz no verbete:

canção (can.ção) sf. 1 Qualquer composição musical (popular ou erudita) para ser cantada. 2 Poesia lírica.

O problema do verbete é a palavra “qualquer”. Correto do ponto de vista da língua, mas não do ponto de vista de uma minha Filosofia da Arte, a partir da qual defendo que casamentos especiais entre poesia e sons merecem ser chamados de canções. Grulha é cancionista! Tem aquelas fagulhas criativas que depois de lapidadas viram poemas, e muita vez, se encaixam perfeitamente numa idéia sonora; ou ainda, desafiando o próprio compositor, já nascem as duas coisas, texto e música juntas, presenteadas por Deus num ato de plena graça.

Musicalmente o CD tem uma textura pra lá de agradável, com pelo menos 2 singles que estourariam fácil em circuito comercial. Às vezes tenho a impressão de que está chegando a hora de artistas cristãos como Grulha, Hélvio Sodré, Banda Resgate entre outros experimentar lançar seus materiais em circuitos maiores do que apenas as rádios evangélicas, mas isto não é assunto para agora… Meus passos no tempo remete a um Brit-Rock corajoso e Pop, com uma coisa de Coldplay aveludado por um leve sotaque Folk pela presença de fortes violões de aço como o de Cacau Santos na lindíssima canção Não é o fim, que bem me lembro ter história, e uma história que ainda vai deixar o Thiago Grulha com a voz embargada por muitas vezes. As escolhas de timbres e arranjos são muito corajosas e acredito que poucos produtores além de Paulo César Baruk ousariam investir em tamanha economia como na da que ouvimos na faixa de abertura e sua repetição como bonus-track.

Fiquei mais uma vez impressionado com a voz poderosa, plástica e expressiva de Leila Francielli num dueto lindíssimo com Thiago. Coisa linda de composição, de arranjo, interpretação e tudo mais! Até a mix me impressionou pelo bom gosto no preenchimento dos espaços e o belo “palco sonoro” montado pelas mãos de Eduardo Garcia. O equilíbrio da masterização contribui para a escuta dos detalhes, dos efeitos. Tudo na medida para a construção de um belo álbum! Os samples da faixa Tempo para amar são outra boa surpresa. Além de bem sequenciados, ornam o belo arranjo de Thiago Cutrim.

Outro destaque é a interpretação de Grulha para a já clássica Choro acompanhado num arranjo que transborda bom gosto e sensibilidade do Leandro Rodrigues.

Um espetáculo de simplicidade e captação de uma idéia, de um conceito é o projeto gráfico do CD. Fez com que mais uma vez eu sentisse saudades do formato dos LPs. Imagino a capa e as fotos de Lucas Motta em dimensões mais avantajadas… Seria algo pra se pensar paras as próximas empreitadas da Salluz Productions: uma edição limitada para os que ainda sabem e gostam de colocar a agulha no vinil!

Em seu terceiro álbum, Thiago Grulha parece ter atingido uma constância impressionante na concepção de canções que falam a uma geração que parece estar voltando a se sentir tocada pelo uso das palavras.

VMB e a falência da canção popular brasileira na mídia

Lembro de voltar pra casa ansioso para ver a estréia de um canal de TV dedicado à música. Eu devia estar na 2ª ou 3ª série, mas já distinguia Beatles de Rolling Stones e, por uma forte influência paterna, ouvia literalmente de tudo. De tudo mesmo: de Palestrina a Sepultura. Ouvia coisa boa e coisa ruim, mas já começava a diferenciar uma coisa da outra! A MTV veio povoar ainda mais meu imaginário musical e foi nela que ouvi Pearl Jam, Jeff Buckley, Wynton Marsalis e outros gigantes pela primeira vez. Ouvi “Segue o seco” na voz de Marisa Monte em um vídeo clipe que me fez chorar pelo Sertão antes de conhecer Guimarães Rosa e afins.

Mas daí o tempo passou…

Comecei a perceber que cada vez mais a Astrid repetia as colocações do Top 10 meio que respeitando uma rítmica altamente questionável. Não ouvia mais boa música onde antes tinha o filet-mignon decidido pela audiência. A coisa ficou ruim! Até loira oxigenada descendo na boquinha da garrafa rolava e era triste, medonho!

Nem as animações rebeldes e geniais como Aeon Flux, Beavis and Butthead e South Park sobreviveram, dando lugar a produções despropositadas e excessivas em vocabulário obceno sem texto decente por trás… Uma decadência.

Vieram as premiações. Por mais irritantes que fossem já desde início (e eram!), rolava um “tribalismo”, algo de brasileiro, híbrido e minimamente bem feitinho. Esses “prêmios” foram dos “Tribalistas” aos cansados “Titãs” e destes para as mãos de corjas “emo”… Quando tudo não podia piorar, vieram as “famílias”! Garotinhos bi-curiosos, coloridos, altamente desqualificados tocando sequências gastas com letras sem nada, nada, repito: nada! Nada…

Hoje, o único filão no qual a MTV ainda acerta é na comédia com o cast absoluto liderado pelo Adnet, mas é impossível não perceber que a piada de mau gôsto é o repertório coloridinho que domina a festa da noite.

Talvez fosse o caso de aproveitar UMA coisa da bandinha colorida que levou quase tudo no VMB: “Restart” – Pára tudo e REINICIA, MTV! Mas não reinicia só até 1990, não. Ousa reiniciar essa bagaça que está a música brasileira e tente nos restaurar a qualidade da época dos Festivais! Lá havia canção e no VMB quase que só essas “familiazinhas de mentira”.

Santifica-me: clamores, júbilos e Azusa no seu hi-fi

Em primeiro lugar uma péssima notícia: infelizmente o Coral não vem junto na compra do disco, porque o disco é bom, mas o Coral Resgate para a Vida ao vivo é incendiário!

Depois de ouví-los cantar uma belíssima versão de Total Praise no lançamento do álbum mais recente de Paulo César Baruk, um dos meus hobbies era esperar o prometido novo disco do grupo pela Salluz. A espera valeu. Na terça-feira de abertura da Expo Cristã assisti a um pocket show vertiginoso e saí correndo pra comprar meu exemplar. O disco está realmente surpreendente. Talvez inaugure uma nova fase no black-gospel nacional, com menos pose e mais atitude, além de adornos virtuosísticos melhor colocados. Menos aparências e mais essência. Mas não quero falar das pessoas, dos ministérios, das posturas e afins. Quero falar do disco.

A produção musical é assinada por Jeziel Assunção e William Augusto, que souberam equacionar um repertório pesadíssimo e arranjos de alta qualidade com a alta personalidade do Coral. Isto não é pouca coisa! São muitos talentos individuais enormes num só grupo, característica que poderia transformar o disco numa enfadonha vitrine de runs, trills e shouts. As instrumentações são de bom gosto notável e extremamente bem executadas e captadas, os teclados vintage são todos executados pelo produtor William Augusto que dá uma aula de música Gospel. Não o conheço, mas deve ter as gravações do The Comissioned e afins decoradinhas, dando um show de referências e criações. A direção vocal é impecável do ponto de vista dos solos, com um destaque para a participação da Deisy na versão da cavernosa Holy thou art, God de Richard Smallwood, passeando poderosamente sobre o arranjo, que embora respeite bastante a textura da gravação original traz uma clareza, um calor e uma autenticidade muito relevante para o cover. Vanessa Williams se orgulharia da cobertura de Deisy. Aliás, numa nota pessoal, os produtores eliminaram a resolução maior do final da canção, coisa que sempre me incomodou na versão do Smallwood com o Vision. Como é provável que ele não lerá este texto, ouso a crítica. Terminam a faixa no tom menor, soturno e pesado sem forçar a resolução e transitando para um Praise Break que nos transporta imediatamente para um culto genuinamente pentecostal.

Uma ausência no encarte é a indicação dos solistas, no entanto, já imaginei um ótima justificativa para isto: o Coral Resgate para a Vida parece não se importar muito com personalismo. Quando solam ao vivo, os cantores parecem conectados numa comunhão umbilical aos colegas. Eles se olham, se tocam, se suportam de maneira a proporcionar um espetáculo visual maior do que meramente vômitos de fraseologia vocal! Enquanto o mundo black-gospel parece colocar a habilidade melismática num pedestal absoluto, os integrantes deste Coral parecem ter entendido que o cantor deve sobretudo fazer com que a canção apareça e não somente usá-la como um holofote para seu virtuosismo.

Quanto ao repertório, queria destacar as composições de Bruna Pisani, integrante do Coral que surpreende com duas canções (inclusive a faixa título do disco) extremamente informadas e densas. Muita gente ouve música Gospel; e aqui não falo de Gospel como etiqueta de mercado para todo e qualquer disco que tenha texto religioso, mas como estilo musical e fenômeno vindo de uma experiência realmente vivida, mas poucos chegam a tocar a essência do Gospel e, aparentemente, esta moça é uma destas poucas pessoas.

A mixagem por Luciano Marciani é muito feliz e se ouve tudo na medida, e a masterização do sempre cuidadoso Luciano Vassão preserva a dinâmica envolvente o Coral, que vai de suaves calorosos a fortíssimos absurdos sem perder o timbre bonito.

Como maestro de profissão principal, não poderia deixar de comentar o regente do grupo: o também incendiário Gustavo Mariano. Mão de pulso firme e fraseado evidente, ele mistura uma “pegada Kirk Franklin” com uma coisa mais cantante à la Marvin Sapp, com um timbre claro, bonito e pegada de diretor de Mass-Choir.

Enfim, mesmo levando em conta minha tendência a sensacionalizar as coisas, recomendo o Santifica-me com toda a empolgação, mesmo! É viver um pouquinho de Azusa sem sair de casa.

Breve balanço da Expo Cristã

Na última semana aconteceu a Expo Cristã num famoso espaço de feiras e exposições da Zona Norte de São Paulo. Do lado de casa… Separei três dias para perambular por lá. Brevemente, aqui está o que vi, ouvi e senti por lá:

Logo no primeiro dia que lá estive fui presenteado por Deus pela apresentação do Coral Resgate para a Vida que lançou na feira o seu novo trabalho intitulado “Santifica-me”, interei-me dos trabalhos recentes do Ministério Jeová Nissi (no qual vejo o potencial de que em algum tempo se encontre uma verdadeira raridade artística dentro do meio Gospel devido à erudição e preparo de sua liderança), adquiri alguns CDs e DVDs (alguns dos quais comentarei aqui em novos posts, como o do já referido Coral Resgate para a Vida, o Ainda não é o Último da Banda Resgate, o Meus passos no tempo do jovem salmista Thiago Grulha e o Ao vivo do cantor/compositor/ministro Samuel Mizrahy), encontrei pessoas que a tempos não via e tive a ingrata surpresa de saber que um amigo que estava lá trabalhando teve uma câmera fotográfica furtada por um lobo em pele de cordeiro de passagem por lá. Triste isso, mas como se sabe, nem tudo são flores no meio Gospel. Na minha passagem por lá no sábado ouvi que alguns assaltos estavam sendo praticados na feira.

Todo o espetáculo mercadológico me deixou com algumas impressões curiosas: primeira coisa que vem à mente é: A Expo Cristã serve pra vender ou serve pra mostrar? Talvez não tenha me feito entender, mas vou seguir adiante mesmo assim. Enquanto alguns Mega-stands pareciam lojas, outros marcavam presença com a exposição de seus contratados, proporcionando ao cristão/comprador a possibilidade de um contato genuíno com aquilo que muitas vezes só lhe é apresentado como produto. Vi no stand do Livres para adorar a presença constante de Juliano Son, no stand da Salluz Productions a presença constantes do casal empreendedor Rebeca Nemer e Paulo César Baruk além de quase a totalidade do cast da produtora, no espaço da Sony vi diversas vezes a passagem singela e pouco ruidosa de Leonardo Gonçalves observando o desempenho de seu novo trabalho cheio de disponibilidade e afeto com todos. Muitos outros são os bons exemplos de humildade e respeito ao admirador que vi por lá! Já numa nota menos feliz, vi também meteoros de estrelismo passarem por lá com seu brilho fugaz e evanescente de uma Madona ou qualquer outro astro Pop. Não sei muito bem a que isto se presta num meio onde é constante a pregação quase auto-flagelante de humildade e diminuição do ego. Reparei até o imenso desrespeito aos níveis de decibéis estabelcidos como limites a serem emitidos por parte de alguns apanágios da MCC inviabilizando consultas, conversas ou a apresentação de materiais em áudio ou pocket-shows em stands menos turbulentos.

Outro comentário muito interessante, este feito por um amigo teólogo que me acompanhava por lá: Somos um grupo que lê! E lê muito! Não cabe aqui questionar a qualidade da leitura, uma vez que no mercado literário verdadeiras aberrações como Dan Brown estouram em vendas. Lemos muito! Vê-se que o crente consome literatura de seus formadores de opinião, doutrinadores, exegetas e afins. Isto é ponto a nosso favor. Vi um sem-número de Bíblias com comentários de linhas variadíssimas, mostando que na variedade do corpo de Cristo há espaço para todos e o tempo fará o trabalho de mostrar o que encontrou aprovação de Deus.

Aguardem os posts sobre os CDs. – Esta semana garanto dois: Santifica-me do Coral Resgate para a Vida Meus Passos no tempo do Thiago Grulha.

Paz a tod@s.

Enrique Dussel – uma cabeça que funciona!

Cérebros ativos estão cada dia mais escassos.

Preguiça e comodismo estão se transformando nas epidemias mais  perigosas da atualidade. Já percebeu isso?

Na quarta-feira da semana passada a aula magna da Faculdade na qual trabalho ficou à cargo do filósofo Enrique Dussel. Confesso que zonzeei… A pessoa falou durante uma hora e meia e, sem olhar em nenhuma anotação, discorreu sobre o desenvolvimento do pensamento, tecnologia e dominação humana pelo “eurocentrismo” cobrindo mais de 8000 anos de história das civilizações.

Nomes, datas, idéias, preconceitos e mitos eram meio que vomitados num quadro onde ele mesmo desenhara um Mapa-Mundi. Com um time-line preciso e precioso. Vi pela primeira vez, a idéia de que o transporte do eixo topográfico central da Humanidade do Oceano Pacífico para o Atlântico foi uma das ferrametas mais eficazes na dominação Européia na História da Humanidade. Perguntar “por que o em cima é o Norte” e o que isto significa ideologicamente nas expressões cartográficas medievais é “pão com ovo”, mas fazê-lo questionando exatamente o que “media” a Idade Média foi um salto de excelência na minha própria reflexão sobre o Mundo. A Idade Média costuma ser tomada como mera mediação entre a Atiguidade e o Iluminismo. Dussel mostrou com a habilidade virtuosística de um organista inspirado tocando Bach que as Luzes do iluminismo são faroletes emprestados de idéias, teorias e obviedades pertencentes ao corpus teórico de civilizações ancestrais, que já pensavam heliocentricamente muito antes de Copérnico e Keppler entre outras falácias eurocêntricas.

Difícil concentrar na palestra com as amiguinhas que conversavam e alta voz atrás de mim… Aluninhas de sei-lá-o-que da Universidade. Reclamavam de não entender nada, mas pouco se esforçavam para tentar colocar seus cérebros (anatomicamente similar ao do Dussel…) na mesma frequência da do palestrante. Tive que me virar e pedir silêncio, ao que elas me responderam: “Pagamos a mesma mensalidade que você!” – Repliquei: “Não sou aluno…” Não sou professor propriamente, mas se elas entederam que eu era e só por isso saíram levando sua ruidosa balburdia para a praça de alimentação, isso é mero desdobramento de não ativar suas maravilhosas maças encefálicas… Que posso fazer?

E se alguém supõe algum enfado na palestra, afirmo: longe disso! Aliás, não só bom-humor, mas bom-humor de alta qualidade. Coisa de nível, muito além dos sit-coms que até curto e milhas e milhas de distância do Zorra Total e da Praça é Nossa…

De tudo, ficou-me a impressão de que precisamos aproveitar estes cérebros que funcionam em banda larga enquanto eles ainda estão por aí! Lembrei de como os últimos meses de aulas com meu falecido mestre Rizek e de como nós o exaurimos com questões e mais questões sobre tudo. Da Filosofia, Estética até as histórias dos grandes mestres do Sufismo que ele contava com tanto tato. Com a constante degeneração da nossa espécie numa turba animalesca de acéfalos barulhentos é recomendável aproveitar estes cérevros que funcionam, antes que só reste na Humanidade apreciadores da Praça é Nossa.

É isso… Ou falei demais?