VMB e a falência da canção popular brasileira na mídia
Lembro de voltar pra casa ansioso para ver a estréia de um canal de TV dedicado à m
úsica. Eu devia estar na 2ª ou 3ª série, mas já distinguia Beatles de Rolling Stones e, por uma forte influência paterna, ouvia literalmente de tudo. De tudo mesmo: de Palestrina a Sepultura. Ouvia coisa boa e coisa ruim, mas já começava a diferenciar uma coisa da outra! A MTV veio povoar ainda mais meu imaginário musical e foi nela que ouvi Pearl Jam, Jeff Buckley, Wynton Marsalis e outros gigantes pela primeira vez. Ouvi “Segue o seco” na voz de Marisa Monte em um vídeo clipe que me fez chorar pelo Sertão antes de conhecer Guimarães Rosa e afins.
Mas daí o tempo passou…
Comecei a perceber que cada vez mais a Astrid repetia as colocações do Top 10 meio que respeitando uma rítmica altamente questionável. Não ouvia mais boa música onde antes tinha o filet-mignon decidido pela audiência. A coisa ficou ruim! Até loira oxigenada descendo na boquinha da garrafa rolava e era triste, medonho!
Nem as animações rebeldes e geniais como Aeon Flux, Beavis and Butthead e South Park sobreviveram, dando lugar a produções despropositadas e excessivas em vocabulário obceno sem texto decente por trás… Uma decadência.
Vieram as premiações. Por mais irritantes que fossem já desde início (e eram!), rolava um “tribalismo”, algo de brasileiro, híbrido e minimamente bem feitinho. Esses “prêmios” foram dos “Tribalistas” aos cansados “Titãs” e destes para as mãos de corjas “emo”… Quando tudo não podia piorar, vieram as “famílias”! Garotinhos bi-curiosos, coloridos, altamente desqualificados tocando sequências gastas com letras sem nada, nada, repito: nada! Nada…
Hoje, o único filão no qual a MTV ainda acerta é na comédia com o cast absoluto liderado pelo Adnet, mas é impossível não perceber que a piada de mau gôsto é o repertório coloridinho que domina a festa da noite.
Talvez fosse o caso de aproveitar UMA coisa da bandinha colorida que levou quase tudo no VMB: “Restart” – Pára tudo e REINICIA, MTV! Mas não reinicia só até 1990, não. Ousa reiniciar essa bagaça que está a música brasileira e tente nos restaurar a qualidade da época dos Festivais! Lá havia canção e no VMB quase que só essas “familiazinhas de mentira”.

Cara, nem vi, aliás, há anos não vejo VMB. Creio ter visto o primeiro e segundo, terceiro já empapou…
Bom, para a emissora que nada tem mesmo para oferecer, continua uma premiação para um nada que nada vale para uma audiência que nada sabe.
Os coloridos, são bons marqueteiros, isso são: tem até uma Restart shop no site deles! Para um bom marketeiro, meia música meia-boca basta…
Mas, convenhamos, alguém se importa? COm a MTV?
Pior que nós ficamos entristecidos ao lembrar de Orgasmatron (regravação do Sepultura) em 1o lugar no Disk MTV, ou mesmo Alive do Pearl Jam na mesma colocação depois, e como passavam clipes! Era o dia inteiro! Agora só programa tosco! e algumas músicas (ou nenhuma, dependendo do pto de vista…)
Só me lembro de uma palestra com o Godoy do ECAD há muito tempo atrás: “pois é, a MTV é uma dessas emissoras que não pagam direitos autorais, dão calote mesmo!”… e pensava no que podia dar…
nisso aí…
Ah, vejam o que Regis Tadeu escreveu sobre o acontecido…
http://colunistas.yahoo.net/posts/5055.html
Parceiro, aos meus olhos teu texto tem uma beleza revoltada, irritante. E isso traz vida e um ritmo de leitura um tanto diferente e envolvente. Primoroso!
Mas concordo contigo, o VMB e algumas outras premiações deixaram de ser um meio de se divulgar e congratular MÚSICOS para se tornar algo similar a uma “festinha” de diversas empresas fonográficas juntas, onde quem dá mais leva mais.
É triste e vergonhoso para a música brasileira que com muito custo começou a ser respeitada lá fora por meio de gênios como: Antônio Carlos Jobim, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e alguns outros, pra agora ser conhecida ñ só lá fora mas aqui no país também como “bunda music” ou “influenced music”.
Dizem que a esperança é a ultima que morre, mas do jeito que tá e “no ritmo que anda a carruagem” fica dificil acreditar em musica boa andando junto com mercado fonografico novamente. #ProntoFalei =P