Aos mestres, com carinho de discípulo eterno.

Meus primeiros professores foram Genival e Marlene. Ensinaram-me coisas aparentemente banais, mas que usarei pra sempre como escovar os dentes, tomar banho, comer de garfo e faca, pedir antes de pegar coisas que não são minhas e aceitar “nãos” como repsosta, prestar atenção quando alguém fala e respeitar os mais velhos, orar sem cessar e ter temor na casa de Deus. Ensinam-me muito, sempre, até hoje e até quando Deus permitir. Peço muitos e muito anos…

Depois veio o professor Lucas, meu irmão do meio. Veio pra me ensinar a dividir, brincar, driblar (isso aí não aprendi lá muito bem…), aprontar e sair ileso, entre tantas outras coisas…

As “tias” que me alfabetizaram começaram uma obra importante que é deveras desvalorizada neste país. Lembro de seus rostos, de sua doçura, mas infelizmente os nomes me fogem…

Ana Paula veio como um presente de Deus! Ensinou-me a cuidar. Tão frágil quando chegou em casa, nossa caçulinha… Aos oito anos, aprendi a carregar minha irmãzinha no colo e com seu pezinho torto, aprendi que Deus usa a tudo e a todos quando quer abençoar uma família com uma cura sobrenatural.

Norma, Vilma, Júlio e Celso; Geometria, Literatura, Geografia e Física respectivamente. Mais do que o rigor dos conteúdos ensinavam a gostar de aprender e a cruzar saberes de maneira a entender melhor o mundo ao meu redor. Que saudades das aulas de vocês, e como gostaria de ter aproveitado mais.

Júlio César me ensinou a usar melhor os acordes que aprendia nos livrinhos do Maurão. Ensinou-me que havia muita múscica além do que meu gôsto podia alcançar. Clapton, Caetano, Metheny… Muito som, muitos dedos, muitas viagens sonoras!

De toda a ULM, lembro com saudades de Regina Kinjo. Entrei na aula dela descontente com a obrigatoriedade de frequentar aulas de Canto Coral. O terceiro acorde da primeira canção que aprendi com ela muduou o curso da minha vida: virei aspirante a tenor, arranjador de acapela, cantor, músico, “madrigalista encantado”.

Logo veio Naty Ribas, minha professora em tempo integral. Ela me ensina de tudo: cuidar da casa, cuidar da imagem, cuidar da língua… Mas de tudo que aprendi com ela, o melhor foi aprender a amar plenamente.

Da UNESP lembro de Carlos Stasi. Professor que descostruiu meu castelo de cartas em 15 minutos de aula. Com ele aprendi que música está muito além da frieza inerte de marcações gráficas numa partitura e que qualquer sistema tem limites, inclusive os melhores sistemas…

Um mestre que já se foi é Ricardo Rizek; ou Rizekinho, o Grande como gosto de recordá-lo em conversas ou aulas. Enquanto em muitos lugares aprendi técnicas variadas, na sala de aula de meu mestre aprendi Arte, sua sublime força e capacidade de ser algo além do banal mesmo que o cite ou se pareça com ele. Com Rizek aprendi tanto que nem em 2 existências poderia organizar tantas anotações de aulas notívagas… Ainda visito suas aulas, seus dizeres, seus gestos e suas manias.

Muitos professores me alcançaram sem que nunca os encontrasse. Aulas em livros (Martin Buber, Platão, Guimarães Rosa,Suassuna,  Michael Ende…), aulas Poéticas (Hesíodo, Safo, Pessoa, Jorge de Lima, todos os Cordelístas do Nordeste, todos os Rappers do Mundo…) aulas em Discos (Robert Johnson, Boca Livre, Take6, Jeff Buckley…), aulas no Cinema (Stanley Kubrik, Andrei Tarkovski, David Cronemberg…), aulas em Telas (Dali, Picasso, Michelangelo, Da Vinci), aulas no Palco (Artaud, Nelson Rodrigues, Sófocles…), aulas em Sonoras (Bach, Beethoven, Bhrams…), aulas e aulas e aulas…

Tento fazer de meu professor o meu “outro”. Aquele ou aquela com quem convivo vive num mundo interno diferente do meu e certamente posso aprender a cada encontro. Não creio estar banalizando o ofício do mestre aqui, até porque “mestre” é um dos títulos que se dá aquele que é meu maior professor: Jesus Cristo, o Mestre dos Mestres – um homem que ousou ensinar a todos sem distinção, sentando-se em todas as mesas que pode e deixando uma marca que chegou até nós, alunos.

Se você é professor sinta-se bem neste dia. Sem você o mundo estaria em trevas completas e qualquer força nos venceria.

Parabéns!

Mudando de site…

Bem, minha inabilidade em melhorar o visual do Blog no WordPress (que gosto muito!) migrarei este Blog aos poucos para outro site:

http://jonaspauloptc.blogspot.com/

Novos posts ainda serão simultâneos, mas logo logo deixarei este em stand by, ok!

Agradeço a compreensão, e mais ainda, agradeço o apoio ao Blog! Tem sido uma ótima experiência escrever e ser lido por vocês todos!

Um pequeno salmista andando pelo tempo

Foto por Lucas Motta

Foto por Lucas Motta

Há um cineasta russo que disse em seu livro que a música é a moldagem filosófica do tempo. No caso das canções de Thiago Grulha, dever-se-ia estender o conceito para o campo da Fé, da Teologia, da Doutrina e Vida Cristã. Meus passos no tempo parece ser o retrato do que vive, pensa e faz um jovem salmista da nossa geração, anotando tudo em nossa memória através do seu canto. É com os olhos no retrovisor das próprias vivências que Thiago evoca as imagens e experiências que canta no disco com uma voz singela e precisa, sem muitos rodeios. A principal marca do disco é a presença de canções, na mais bela acepção da palavra, aquela que nem meu sempre útil Caldas Aulete traz no verbete:

canção (can.ção) sf. 1 Qualquer composição musical (popular ou erudita) para ser cantada. 2 Poesia lírica.

O problema do verbete é a palavra “qualquer”. Correto do ponto de vista da língua, mas não do ponto de vista de uma minha Filosofia da Arte, a partir da qual defendo que casamentos especiais entre poesia e sons merecem ser chamados de canções. Grulha é cancionista! Tem aquelas fagulhas criativas que depois de lapidadas viram poemas, e muita vez, se encaixam perfeitamente numa idéia sonora; ou ainda, desafiando o próprio compositor, já nascem as duas coisas, texto e música juntas, presenteadas por Deus num ato de plena graça.

Musicalmente o CD tem uma textura pra lá de agradável, com pelo menos 2 singles que estourariam fácil em circuito comercial. Às vezes tenho a impressão de que está chegando a hora de artistas cristãos como Grulha, Hélvio Sodré, Banda Resgate entre outros experimentar lançar seus materiais em circuitos maiores do que apenas as rádios evangélicas, mas isto não é assunto para agora… Meus passos no tempo remete a um Brit-Rock corajoso e Pop, com uma coisa de Coldplay aveludado por um leve sotaque Folk pela presença de fortes violões de aço como o de Cacau Santos na lindíssima canção Não é o fim, que bem me lembro ter história, e uma história que ainda vai deixar o Thiago Grulha com a voz embargada por muitas vezes. As escolhas de timbres e arranjos são muito corajosas e acredito que poucos produtores além de Paulo César Baruk ousariam investir em tamanha economia como na da que ouvimos na faixa de abertura e sua repetição como bonus-track.

Fiquei mais uma vez impressionado com a voz poderosa, plástica e expressiva de Leila Francielli num dueto lindíssimo com Thiago. Coisa linda de composição, de arranjo, interpretação e tudo mais! Até a mix me impressionou pelo bom gosto no preenchimento dos espaços e o belo “palco sonoro” montado pelas mãos de Eduardo Garcia. O equilíbrio da masterização contribui para a escuta dos detalhes, dos efeitos. Tudo na medida para a construção de um belo álbum! Os samples da faixa Tempo para amar são outra boa surpresa. Além de bem sequenciados, ornam o belo arranjo de Thiago Cutrim.

Outro destaque é a interpretação de Grulha para a já clássica Choro acompanhado num arranjo que transborda bom gosto e sensibilidade do Leandro Rodrigues.

Um espetáculo de simplicidade e captação de uma idéia, de um conceito é o projeto gráfico do CD. Fez com que mais uma vez eu sentisse saudades do formato dos LPs. Imagino a capa e as fotos de Lucas Motta em dimensões mais avantajadas… Seria algo pra se pensar paras as próximas empreitadas da Salluz Productions: uma edição limitada para os que ainda sabem e gostam de colocar a agulha no vinil!

Em seu terceiro álbum, Thiago Grulha parece ter atingido uma constância impressionante na concepção de canções que falam a uma geração que parece estar voltando a se sentir tocada pelo uso das palavras.

VMB e a falência da canção popular brasileira na mídia

Lembro de voltar pra casa ansioso para ver a estréia de um canal de TV dedicado à música. Eu devia estar na 2ª ou 3ª série, mas já distinguia Beatles de Rolling Stones e, por uma forte influência paterna, ouvia literalmente de tudo. De tudo mesmo: de Palestrina a Sepultura. Ouvia coisa boa e coisa ruim, mas já começava a diferenciar uma coisa da outra! A MTV veio povoar ainda mais meu imaginário musical e foi nela que ouvi Pearl Jam, Jeff Buckley, Wynton Marsalis e outros gigantes pela primeira vez. Ouvi “Segue o seco” na voz de Marisa Monte em um vídeo clipe que me fez chorar pelo Sertão antes de conhecer Guimarães Rosa e afins.

Mas daí o tempo passou…

Comecei a perceber que cada vez mais a Astrid repetia as colocações do Top 10 meio que respeitando uma rítmica altamente questionável. Não ouvia mais boa música onde antes tinha o filet-mignon decidido pela audiência. A coisa ficou ruim! Até loira oxigenada descendo na boquinha da garrafa rolava e era triste, medonho!

Nem as animações rebeldes e geniais como Aeon Flux, Beavis and Butthead e South Park sobreviveram, dando lugar a produções despropositadas e excessivas em vocabulário obceno sem texto decente por trás… Uma decadência.

Vieram as premiações. Por mais irritantes que fossem já desde início (e eram!), rolava um “tribalismo”, algo de brasileiro, híbrido e minimamente bem feitinho. Esses “prêmios” foram dos “Tribalistas” aos cansados “Titãs” e destes para as mãos de corjas “emo”… Quando tudo não podia piorar, vieram as “famílias”! Garotinhos bi-curiosos, coloridos, altamente desqualificados tocando sequências gastas com letras sem nada, nada, repito: nada! Nada…

Hoje, o único filão no qual a MTV ainda acerta é na comédia com o cast absoluto liderado pelo Adnet, mas é impossível não perceber que a piada de mau gôsto é o repertório coloridinho que domina a festa da noite.

Talvez fosse o caso de aproveitar UMA coisa da bandinha colorida que levou quase tudo no VMB: “Restart” – Pára tudo e REINICIA, MTV! Mas não reinicia só até 1990, não. Ousa reiniciar essa bagaça que está a música brasileira e tente nos restaurar a qualidade da época dos Festivais! Lá havia canção e no VMB quase que só essas “familiazinhas de mentira”.

Santifica-me: clamores, júbilos e Azusa no seu hi-fi

Em primeiro lugar uma péssima notícia: infelizmente o Coral não vem junto na compra do disco, porque o disco é bom, mas o Coral Resgate para a Vida ao vivo é incendiário!

Depois de ouví-los cantar uma belíssima versão de Total Praise no lançamento do álbum mais recente de Paulo César Baruk, um dos meus hobbies era esperar o prometido novo disco do grupo pela Salluz. A espera valeu. Na terça-feira de abertura da Expo Cristã assisti a um pocket show vertiginoso e saí correndo pra comprar meu exemplar. O disco está realmente surpreendente. Talvez inaugure uma nova fase no black-gospel nacional, com menos pose e mais atitude, além de adornos virtuosísticos melhor colocados. Menos aparências e mais essência. Mas não quero falar das pessoas, dos ministérios, das posturas e afins. Quero falar do disco.

A produção musical é assinada por Jeziel Assunção e William Augusto, que souberam equacionar um repertório pesadíssimo e arranjos de alta qualidade com a alta personalidade do Coral. Isto não é pouca coisa! São muitos talentos individuais enormes num só grupo, característica que poderia transformar o disco numa enfadonha vitrine de runs, trills e shouts. As instrumentações são de bom gosto notável e extremamente bem executadas e captadas, os teclados vintage são todos executados pelo produtor William Augusto que dá uma aula de música Gospel. Não o conheço, mas deve ter as gravações do The Comissioned e afins decoradinhas, dando um show de referências e criações. A direção vocal é impecável do ponto de vista dos solos, com um destaque para a participação da Deisy na versão da cavernosa Holy thou art, God de Richard Smallwood, passeando poderosamente sobre o arranjo, que embora respeite bastante a textura da gravação original traz uma clareza, um calor e uma autenticidade muito relevante para o cover. Vanessa Williams se orgulharia da cobertura de Deisy. Aliás, numa nota pessoal, os produtores eliminaram a resolução maior do final da canção, coisa que sempre me incomodou na versão do Smallwood com o Vision. Como é provável que ele não lerá este texto, ouso a crítica. Terminam a faixa no tom menor, soturno e pesado sem forçar a resolução e transitando para um Praise Break que nos transporta imediatamente para um culto genuinamente pentecostal.

Uma ausência no encarte é a indicação dos solistas, no entanto, já imaginei um ótima justificativa para isto: o Coral Resgate para a Vida parece não se importar muito com personalismo. Quando solam ao vivo, os cantores parecem conectados numa comunhão umbilical aos colegas. Eles se olham, se tocam, se suportam de maneira a proporcionar um espetáculo visual maior do que meramente vômitos de fraseologia vocal! Enquanto o mundo black-gospel parece colocar a habilidade melismática num pedestal absoluto, os integrantes deste Coral parecem ter entendido que o cantor deve sobretudo fazer com que a canção apareça e não somente usá-la como um holofote para seu virtuosismo.

Quanto ao repertório, queria destacar as composições de Bruna Pisani, integrante do Coral que surpreende com duas canções (inclusive a faixa título do disco) extremamente informadas e densas. Muita gente ouve música Gospel; e aqui não falo de Gospel como etiqueta de mercado para todo e qualquer disco que tenha texto religioso, mas como estilo musical e fenômeno vindo de uma experiência realmente vivida, mas poucos chegam a tocar a essência do Gospel e, aparentemente, esta moça é uma destas poucas pessoas.

A mixagem por Luciano Marciani é muito feliz e se ouve tudo na medida, e a masterização do sempre cuidadoso Luciano Vassão preserva a dinâmica envolvente o Coral, que vai de suaves calorosos a fortíssimos absurdos sem perder o timbre bonito.

Como maestro de profissão principal, não poderia deixar de comentar o regente do grupo: o também incendiário Gustavo Mariano. Mão de pulso firme e fraseado evidente, ele mistura uma “pegada Kirk Franklin” com uma coisa mais cantante à la Marvin Sapp, com um timbre claro, bonito e pegada de diretor de Mass-Choir.

Enfim, mesmo levando em conta minha tendência a sensacionalizar as coisas, recomendo o Santifica-me com toda a empolgação, mesmo! É viver um pouquinho de Azusa sem sair de casa.

Breve balanço da Expo Cristã

Na última semana aconteceu a Expo Cristã num famoso espaço de feiras e exposições da Zona Norte de São Paulo. Do lado de casa… Separei três dias para perambular por lá. Brevemente, aqui está o que vi, ouvi e senti por lá:

Logo no primeiro dia que lá estive fui presenteado por Deus pela apresentação do Coral Resgate para a Vida que lançou na feira o seu novo trabalho intitulado “Santifica-me”, interei-me dos trabalhos recentes do Ministério Jeová Nissi (no qual vejo o potencial de que em algum tempo se encontre uma verdadeira raridade artística dentro do meio Gospel devido à erudição e preparo de sua liderança), adquiri alguns CDs e DVDs (alguns dos quais comentarei aqui em novos posts, como o do já referido Coral Resgate para a Vida, o Ainda não é o Último da Banda Resgate, o Meus passos no tempo do jovem salmista Thiago Grulha e o Ao vivo do cantor/compositor/ministro Samuel Mizrahy), encontrei pessoas que a tempos não via e tive a ingrata surpresa de saber que um amigo que estava lá trabalhando teve uma câmera fotográfica furtada por um lobo em pele de cordeiro de passagem por lá. Triste isso, mas como se sabe, nem tudo são flores no meio Gospel. Na minha passagem por lá no sábado ouvi que alguns assaltos estavam sendo praticados na feira.

Todo o espetáculo mercadológico me deixou com algumas impressões curiosas: primeira coisa que vem à mente é: A Expo Cristã serve pra vender ou serve pra mostrar? Talvez não tenha me feito entender, mas vou seguir adiante mesmo assim. Enquanto alguns Mega-stands pareciam lojas, outros marcavam presença com a exposição de seus contratados, proporcionando ao cristão/comprador a possibilidade de um contato genuíno com aquilo que muitas vezes só lhe é apresentado como produto. Vi no stand do Livres para adorar a presença constante de Juliano Son, no stand da Salluz Productions a presença constantes do casal empreendedor Rebeca Nemer e Paulo César Baruk além de quase a totalidade do cast da produtora, no espaço da Sony vi diversas vezes a passagem singela e pouco ruidosa de Leonardo Gonçalves observando o desempenho de seu novo trabalho cheio de disponibilidade e afeto com todos. Muitos outros são os bons exemplos de humildade e respeito ao admirador que vi por lá! Já numa nota menos feliz, vi também meteoros de estrelismo passarem por lá com seu brilho fugaz e evanescente de uma Madona ou qualquer outro astro Pop. Não sei muito bem a que isto se presta num meio onde é constante a pregação quase auto-flagelante de humildade e diminuição do ego. Reparei até o imenso desrespeito aos níveis de decibéis estabelcidos como limites a serem emitidos por parte de alguns apanágios da MCC inviabilizando consultas, conversas ou a apresentação de materiais em áudio ou pocket-shows em stands menos turbulentos.

Outro comentário muito interessante, este feito por um amigo teólogo que me acompanhava por lá: Somos um grupo que lê! E lê muito! Não cabe aqui questionar a qualidade da leitura, uma vez que no mercado literário verdadeiras aberrações como Dan Brown estouram em vendas. Lemos muito! Vê-se que o crente consome literatura de seus formadores de opinião, doutrinadores, exegetas e afins. Isto é ponto a nosso favor. Vi um sem-número de Bíblias com comentários de linhas variadíssimas, mostando que na variedade do corpo de Cristo há espaço para todos e o tempo fará o trabalho de mostrar o que encontrou aprovação de Deus.

Aguardem os posts sobre os CDs. – Esta semana garanto dois: Santifica-me do Coral Resgate para a Vida Meus Passos no tempo do Thiago Grulha.

Paz a tod@s.

Enrique Dussel – uma cabeça que funciona!

Cérebros ativos estão cada dia mais escassos.

Preguiça e comodismo estão se transformando nas epidemias mais  perigosas da atualidade. Já percebeu isso?

Na quarta-feira da semana passada a aula magna da Faculdade na qual trabalho ficou à cargo do filósofo Enrique Dussel. Confesso que zonzeei… A pessoa falou durante uma hora e meia e, sem olhar em nenhuma anotação, discorreu sobre o desenvolvimento do pensamento, tecnologia e dominação humana pelo “eurocentrismo” cobrindo mais de 8000 anos de história das civilizações.

Nomes, datas, idéias, preconceitos e mitos eram meio que vomitados num quadro onde ele mesmo desenhara um Mapa-Mundi. Com um time-line preciso e precioso. Vi pela primeira vez, a idéia de que o transporte do eixo topográfico central da Humanidade do Oceano Pacífico para o Atlântico foi uma das ferrametas mais eficazes na dominação Européia na História da Humanidade. Perguntar “por que o em cima é o Norte” e o que isto significa ideologicamente nas expressões cartográficas medievais é “pão com ovo”, mas fazê-lo questionando exatamente o que “media” a Idade Média foi um salto de excelência na minha própria reflexão sobre o Mundo. A Idade Média costuma ser tomada como mera mediação entre a Atiguidade e o Iluminismo. Dussel mostrou com a habilidade virtuosística de um organista inspirado tocando Bach que as Luzes do iluminismo são faroletes emprestados de idéias, teorias e obviedades pertencentes ao corpus teórico de civilizações ancestrais, que já pensavam heliocentricamente muito antes de Copérnico e Keppler entre outras falácias eurocêntricas.

Difícil concentrar na palestra com as amiguinhas que conversavam e alta voz atrás de mim… Aluninhas de sei-lá-o-que da Universidade. Reclamavam de não entender nada, mas pouco se esforçavam para tentar colocar seus cérebros (anatomicamente similar ao do Dussel…) na mesma frequência da do palestrante. Tive que me virar e pedir silêncio, ao que elas me responderam: “Pagamos a mesma mensalidade que você!” – Repliquei: “Não sou aluno…” Não sou professor propriamente, mas se elas entederam que eu era e só por isso saíram levando sua ruidosa balburdia para a praça de alimentação, isso é mero desdobramento de não ativar suas maravilhosas maças encefálicas… Que posso fazer?

E se alguém supõe algum enfado na palestra, afirmo: longe disso! Aliás, não só bom-humor, mas bom-humor de alta qualidade. Coisa de nível, muito além dos sit-coms que até curto e milhas e milhas de distância do Zorra Total e da Praça é Nossa…

De tudo, ficou-me a impressão de que precisamos aproveitar estes cérebros que funcionam em banda larga enquanto eles ainda estão por aí! Lembrei de como os últimos meses de aulas com meu falecido mestre Rizek e de como nós o exaurimos com questões e mais questões sobre tudo. Da Filosofia, Estética até as histórias dos grandes mestres do Sufismo que ele contava com tanto tato. Com a constante degeneração da nossa espécie numa turba animalesca de acéfalos barulhentos é recomendável aproveitar estes cérevros que funcionam, antes que só reste na Humanidade apreciadores da Praça é Nossa.

É isso… Ou falei demais?

Correndo atrás do que?

Quarta-feira passada, depois de alguns meses sem andar de metrô, precisei ir para o trabalho em São Bernardo do Campo utilizando nosso maravilhoso sistema de transporte público. Fiquei até feliz por poder ler no trajeto, coisa que tem sido catastrófica quando estou ao volante. (o pior é que ler não é a coisa mais bizarra que já fiz dirigindo…) Para minha tristeza, a super população do metrô me impediu de viabilizar a leitura. Na verdade, tivesse eu uma coceira fortuita na coxa, certamente morreria de desconforto. Meu tocador de mp3 estava devidamente descarregado, logo, fiz um longo trajeto de metrô podendo ouvir a fala do povo. Do meu povo! Paulistanos como eu, que acordam cedo, se amassam nas estações, perdem trens, perdem horários, perdem empregos, perdem tempo…

No metrô tem de tudo! Tem aqueles tiozinhos e tiazinhas com aquela história de doença decorada em 1955 pra pedir dinheiro (se tenho e posso dispor de uns reaizinhos, sempre ajudo: se o cara vai encher o côco de crack depois só posso dizer: burro! Mas e se comprar uns pães, juntar pro remédio da filha, comprar uma sandália pra esposa que tranalha de diarista na casa da madame? Não quero julgar as pessoas antes de fazer algo!). Tem também os críticos: um rapaz estava explicando pormenorizadamente pra uma moça visivelmente entediada porque o Avatar era um péssimo filme. Tem os sócio-políticos descendo a letra no governo, nos políticos, na Globo, na Ana Maria Braga, no Goleiro Bruno; e que ao fim muitas vezes chegam a óbvia conclusão de que tudo é culpa do sistema! Tem o pessoal crente, sempre aproveitando oportunidades evangelísticas e finalmente, entre outros, tem os que encostam a cabeça no ferrinho e dormem até babar na bagaça inteirinha! (pertenço ao último grupo: geralmente babo em algum livro!)

Mas ontem teve um diálogo, mais precisamente uma frase que me fez avaliar todo o meu cotidiano estapafúrdio. Neguinho virou pra mulher e lançou com uma cara de professor de cursinho: “É! Tem que correr atrás!”

(inserir imagem do cogumelo de Hiroshima aqui)

Na massaroca sonora da estação Carandiru, esta frase me fez polarizar a atenção ao diálogo do cara e de sua amiga!

Interlúdio: Encontrei a amiga e twitter esporádica @dessa_aguilera, trocamos umas linhas de diálogo e daí a massa me arrastou tipo, pra outro vagão e não teve como me despedir, então: Falou, Andressa! Domingo é nóiz na IMT!

Voltando: “É! Tem que correr atrás!”

Frasezinha capciosa, essa! Eu não sei se quero correr atrás, não! Pensei em todas as vezes que me vi assumindo compromissos completamente infrutíferos na esperança de que “os contatos renderiam algo a longo prazo”, ou nas ocasiões onde acreditei naquele famoso “voce faz esse de graça daí depois te indico pra não sei quem e não sei mais quem e não sei aonde”. Na verdade, uma vez “corri atrás” de um trampo de arranjador num musical de pequeno-médio porte. Estou até hoje aguardando o depósito dos valores combinados… Produtores picaretas sugam o sangue de cavalos dispostos a “correr atrás”.

Imagino que isto não seja tão diferente em outras áreas de atuação também! Conheci um cara uma vez que largou um emprego razoável porque um picareta veio com uma sedutora estória (para ruminantes roncarem, obviamente) de ir com ele trabalhar num negócio novo, com perspectivas de crescer muito, ganhar muito dinheiro, ir pra capa da Forbes e não sei mais o que… Esse correu atrás! Só não sabia do que, exatamente!

Quem corre atrás, corre atrás do próprio rabo, geralmente. Vence quem estuda, quem se prepara, quem trabalha. Objetivar, estabelecer metas, alvos e “check-points” é essencial para poder caminhar em direção certeira. Lembro-me de que uma vez meu pai perguntou o que eu pensava em fazer da vida. Ele, baseado no que conhecia de mim já tinha traçado uma trajetória bem delineada. Até o curso superior que me imaginava fazendo. Homem precavido ele, não! Agradeço a Deus por não ter “corrido atrás” de realizar os sonhos de meu pai para mim. Disse a ele que queria estudar Composição Musical exatamente na escola na qual acabei eventualmente ingressando e mais um monte de planos que tinha imaginado aos 15/16 anos. Mais da metade do que tracei naqueles tempos é hoje uma realidade para a qual caminhei. Caminhei com detimento, calma, preparo. Nada foi de graça. Parte do que planejei era simplesmente absurdo, fora de realidade, desmedido… Não vou correr atrás destas coisas! Tenho sonhos genuínos a realizar ao invés de correr atrás do vento!

Quando a gente anda, caminha, fica mais difícil levar tombos muito feios! Se caímos, o fazemos com elegância. Se andamos, fica mais fácil dar passos atrás. Os tropeços e erros ficam acessíveis e reparáveis! Como que ao alcance da mão.

Às vezes não pensamos um pouco no que significam certos motes da moda. Repetimos e repetimos sem pensar.

Caminhando vou e sigo para o alvo! E se Deus quiser, posso até voar.

Senhor, quem é poeta que te ponha em verso?

Senhor, quem é poeta que te ponha em verso?
Qual fulgor de fulgores te poderá rimar?
Qual boca te pode entoar louvores,
sem o resto da face ruborizar?

Senhor, quem tremerá em tua casa, reverente?
Que temor sem terrores lá nos fazes gozar!
Que altares ainda calaremos,
para teu altar em nós poder reinar?

Teu mistério é meu maior desejo.
Como ir a ti que és mais que todo meu eu?
Senhor de tudo e do nada que sou!

Todos meus dias te são poeira,
peço que aceites somente meu tudo.
Conduz minha pena, mente e voz.

Verbofagia VI – Sou brasileiro e desisto, infelizmente, sempre!

Pela manhã, levando minha esposa ao Metrô, ouvia a CBN como de costume.

Alguma situação política vexatória da Nação (como quase todas são, diga-se de passagem) tomou minha atenção num nível meio sub-consciente. Cruzei os olhos em atenção ao trânsito e bem na minha frente atravessava um rapazote vestindo aquela camiseta famosa com os dizeres “Sou brasileiro e não desisto nunca”. Não seria necessário nenhum estudo sócio-político muito profundo para atestar a tamanha inverdade desta inscrição tão famosa. Ou ao menos para demonstrar que as honrosas exeções são não mais que isto: exeções – e o brasileiro é na verdade uma espécie de boi gordo de abate indo pra um matadouro lento e doloroso sem nem ao menos se dar conta disto.

Uma das arenas onde isto é evidente é a arena política. Tenho o defeito de gostar de política. Falar de política, pensar política, memorizar nomes de cabras-safados, avaliar os deputados nos quais já votei, fazer projeções e vaticínios mil. Na igreja (não só na minha, mas nela também e principalmente), como não podia deixar de ser, este é meu defeito mais execrável para a juventude, fadada ao lixo político-ideológico que geneticamente herdaram dos seus pais – na maioria pequenos burgueses falidos e amargurados com o governo Lula. São anti-Lula e anti-lulistas! Vestem a camisa d’um PSDBismo que nem mesmo sabem o que significa ou sabem defender por pura e santa ignorância. Tenho pena e trato com o mais elegante e respeitoso sarcasmo possível. São brasileiros e desistem sempre, infelizmente. Desistem de olhar para a História deste país e entender melhor os seus processos sociais e históricos para decorar e ajudar a promover os Trending Topics mais alienantes possíveis. A galera do Twitter, antenada na Lady Gaga e na defesa da ave GALVÃO que anda se extinguindo por aqui, detesta horário político (que de fato é um lixo), detesta política (mas adora o sucesso cult do CQC, rindo de questões que não entendem) deixando assim o país refém da corja de Trads da vida, de Maias da vida, de Malufs da vida. Desistiram de cuidar deste país! Defendem o embate infrutífero de Dunga contra a gigante Rede Globo, mas não perderão o próximo Big Brother e seus próximos Dourados ou Serginhos ou DiCésares. Minhas críticas ao Lula (mais um brasileiro que sucumbiu e desistiu de grande parte daquilo que o fez acender ao posto político mais honroso deste país…) são muitas, mas ao menos sei quais elas são. Minhas críticas ao Serra são muitas e não poderia jamais formatá-las num mero post de blog. A Dilma tem estirpe e provavelmente será alvo de todo o tipo de ataque e terei ao governo dela alguma crítica. A Marina ainda não sei direito – há que se pensar antes de dizer qualquer coisa sobre alguém, mas já adianto: votar nela só porque ela é evangélica é só mais uma maneira de desisitir… E tem tanto crente que vai fazer isto!

Já pensei muitas vezes em levar a cabo minha vocação brasileira e desistir destes debates, afinal sou brasileiro e minha maior tendência é a de desistir… Mas insisto! Até profeticamente insisto. Este debate não dará em colheita farta de frutos visçosos, mas talvez seja uma flor num terrível deserto.

Bom dia e, ao menos hoje, não desista!

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